O Vinho e a Saúde
Desde as origens da humanidade civilizada o vinho se faz presente e não somente como bebida ou acompanhamento alimentar, mas também por suas virtudes medicinais.Segundo a Equipe de Pesquisa da Faculdade de Química da PUC-RS, que está pesquisando o resveratrol nos vinhos gaúchos, os principais benefícios do vinho seriam:
- Aumenta a resistência das fibras colágenas, exercendo efeito protetor sobre as paredes dos vasos sanguíneos;
- Dissipa as plaquetas que provocam coágulos e entopem as artérias;
- Inibe a formação de radicais livres, reduzindo a oxidação dos lipídios que diminuem as placas de orteriosclerose
- Impede a destruição dos linfócitos preservando o sistema imunológico;
- Favorece funções digestivas e aumenta o apetite;
- Contém substâncias que retardam o envelhecimento celular e orgânico.
RESVERATROL
Entre os compostos do vinho que possuem características benéficas, está o resveratrol. Trata-se de um composto fenólico, de atividade fungicida, produzido pela videira em resposta à agressão do fungo Botrytis cinerea. Isto quer dizer que a natureza, através da videira, encarrega-se de criar o próprio antibiótico.
Esta substância concentra-se nas células da película da uva, por isso seu teor é maior nos vinho tintos. Este composto fenólico, uma fitoalexina trans - 3,5,4 - trihidroxistibeno, age como uma substância antioxidante. Outras substâncias como as catequinas, epicatequinas, ácido gálico, malvidina, ácido caféico, miricetina, quercitina e ácido Sinápico, também são antioxidantes encontrados no vinho.
Esta fitoalexina diminui os níveis de lipídios no soro e a agregação plaquetária, aumentando a fração de Colesterol HDL, que ajuda a remover o Colesterol LDL do sangue e a prevenir a obstrução das artérias. A estrutura molecular do resveratrol é similar à estrutura de um estrogênio sintético, o dietilestirestrol; portanto o resveratrol tem propriedades farmacológicas similares às do estradiol, principal estrogênio humano natural, caracterizando-se como um estrogênio.
As propriedades estrogênicas do resveratrol desenvolvem um papel importante nos efeitos cardiovasculares, através do consumo moderado de vinho tinto. Muitas pesquisas aconselham adicionar às dietas das pessoas o resveratrol, devido as suas propriedades anticarcinogênica e antiesclerótica. O resveratrol produz uma maior manifestação de alguns genes reguladores do estrogênio do que o estradiol, que pode levar ao desenvolvimento de novas drogas estrogênicas mais seletivas. Os estrogênios seletivos disponíveis são usados no tratamento do câncer de mama (Tamoxifeno) e da osteoporose pós menopáusica (Reloxifeno).
O corpo humano contém ácidos graxos polinsaturados, os quais são os principais componentes das lipoproteínas de baixa densidade do sangue.
As LDL são transportadoras do colesterol, que é um dos principais constituintes das paredes celulares. A oxidação dos lipídios LDL interrompem a função de transporte e os produtos desta oxidação ocasionam vários problemas. Entre eles, o deslocamento da parede celular interna dos vasos sanguíneos. Esta lesão ocasiona um acúmulo de células, e caso o processo oxidativo tenha continuidade, ocorre a degeneração e formação de placas, as quais são sintomas de arteriosclerose. Os principais tratamentos clínicos procuram uma redução dos teores de LDL no sangue, o que reduz as chances de ocorrência de problemas cardiovasculares. Outra alternativa buscada pela medicina é a interferência no processo oxidativo através de dietas ricas em antioxidantes. É nesta ação que os compostos fenólicos naturais da uva, preservados no vinho, podem ser responsáveis pela ação antioxidante de proteção das doenças cardiovasculares e do câncer, por intermédio de diversos mecanismos. Entre eles podem ser citados a captura direta de radicais livres, redução da atividade enzimática oxidativa e a redução da concentração de lipídios peroxidásicos no plasma sanguíneo.
Estudos recente concluem que as moléculas antioxidantes provenientes da uva, podem ser reencontradas no plasma sangüíneo após o consumo moderado de vinho, e serem responsáveis por uma proteção antioxidante significativa na prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer.
O resveratrol é conhecido há muito tempo na terapêutica medicinal, sendo utilizado pelos Chineses e Japoneses para o tratamento da arteriosclerose, de doenças inflamatórias e alérgicas. Suas características polifenólicas permitem explicar sua atividades anti-agregantes plaquetária, anti-oxidantes, além da particularidade de possuir ação redutora de triglicerídeos.
Em 1995, pesquisadores franceses e americanos provaram que a absorção de catequinas no sangue humano, ocorre efetivamente após o consumo de vinho tinto.
O estudo das equipes de Clínica e Geriatria da PUC-RS, analisa a presença e a quantidade do resveratrol em vinhos brasileiros. Esta pesquisa é inédita, pois os vinhos brasileiros nunca foram analisados quanto a presença e quantidades dessa substância, e está se desenvolvendo com habitantes de Veranópolis, na Serra Gaúcha, chamada a “Capital da Saúde e da Longevidade”, lá a expectativa de vida é de 77,7 anos, enquanto que a média no Brasil é de 67,6 anos. Além disso os registros de morte por doenças do coração são os menores do país. O município é considerado modelo de longevidade pela Organização Mundial da Saúde. A pesquisa vai medir a quantidade de resveratrol da uva e do vinho, e comparar com a quantidade encontrada no sangue dos moradores.
A revista “Isto É” de 07 de Abril de 1999, publica uma matéria onde revela que os produtores de vinho do Napa Valley, na Califórnia, comemoram a permissão dada pelo governo americano para que o vinho tinto lá produzido traga nos rótulos a afirmação : “Um à dois copos de vinho por dia fazem bem a saúde”.
fonte:www.vinicolaaurora.com.br
